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Capital de giro rotativo PJ: juros caem e inadimplência sobe
04 de junho de 2026
A taxa do capital de giro rotativo PJ caiu de 39,68% em abril para 34,86% ao ano em julho de 2026. No mesmo mês, a inadimplência PJ chegou a 4,19%.
Atualizado em 12 de setembro de 2026, com os dados do Banco Central referentes a julho de 2026.
O gerente liga na segunda-feira com uma notícia boa: os juros do capital de giro rotativo PJ baixaram e o banco pode renovar a linha da empresa. O empresário respira. Na mesma semana, a planilha do financeiro mostra duas parcelas atrasadas em outro banco e um cliente grande que ainda não pagou.
As duas cenas acontecem ao mesmo tempo, e os números do Banco Central de julho de 2026 ajudam a entender por quê. O preço do dinheiro novo caiu. O atraso na carteira de crédito das empresas aumentou.
O que aconteceu com os juros do capital de giro rotativo PJ
A taxa média de juros das novas operações de capital de giro rotativo para pessoas jurídicas chegou a 39,68% ao ano em abril de 2026. Em julho, estava em 34,86% ao ano. A queda de quase cinco pontos em três meses aparece na série oficial.
O recuo precisa ser lido com o calendário ao lado. Em julho de 2025, a mesma taxa era de 33,77% ao ano. O capital de giro rotativo ficou mais barato que no pico de abril, mas continua mais caro do que estava um ano antes.
Há também um detalhe de definição. A série do Banco Central é calculada sobre as novas operações contratadas no mês. A queda da taxa média não altera automaticamente o contrato já assinado. A empresa continua submetida às condições pactuadas, inclusive aos eventuais indexadores previstos no instrumento.
Inadimplência PJ em julho de 2026: o outro lado do dado
Enquanto os juros das novas operações recuavam, a inadimplência da carteira de crédito livre das pessoas jurídicas subiu. O Banco Central mede esse indicador como o percentual da carteira com pelo menos uma parcela atrasada há mais de 90 dias.
Em julho de 2026, esse percentual chegou a 4,19%. Em julho de 2025, era 3,71%. O resultado de julho é o maior desde maio de 2018, quando o indicador também marcou 4,19%.
Juro caindo e inadimplência subindo não é contradição, porque os indicadores medem universos e momentos distintos. A taxa é calculada sobre as novas concessões do mês. A inadimplência considera o estoque da carteira de crédito livre com atraso superior a 90 dias. Esses dados, isoladamente, não permitem identificar o perfil de cada tomador nem explicar a causa da variação.
Tabela: juros do capital de giro e inadimplência PJ mês a mês
| Mês | Juros capital de giro rotativo PJ (% ao ano, novas operações) | Inadimplência PJ, crédito livre (% da carteira com atraso acima de 90 dias) |
|---|---|---|
| Jul/2025 | 33,77 | 3,71 |
| Jan/2026 | 33,54 | 3,76 |
| Abr/2026 | 39,68 | 4,01 |
| Mai/2026 | 35,84 | 4,11 |
| Jun/2026 | 34,71 | 3,98 |
| Jul/2026 | 34,86 | 4,19 |
Fonte: Banco Central do Brasil, séries SGS 20724 e 21086, consultadas em 11/09/2026. Os valores mais recentes são preliminares e o Banco Central pode revisá-los.
Juros caíram: vale renovar o capital de giro agora?
A resposta depende menos da taxa do mês e mais do que a renovação faz com o passivo que já existe. Três perguntas ajudam a separar uma coisa da outra.
A primeira: a nova linha paga despesa operacional ou paga parcela de outra dívida? Se o capital de giro estiver sendo usado para pagar outra dívida, a empresa estará substituindo uma obrigação por outra. A operação pode apenas adiar o problema ou produzir uma reestruturação útil. Isso depende do custo total, do prazo, das garantias e da capacidade real de amortização.
A segunda: o que muda nas garantias? Renovações podem vir acompanhadas de aval dos sócios, cessão de recebíveis ou garantia real. Uma taxa alguns pontos menor pode sair cara se a operação amarrar um imóvel ou o faturamento que antes estava livre. Vale reler o que analisar antes de aceitar uma renegociação proposta pelo banco.
A terceira: qual é a posição da empresa nos outros bancos? As informações registradas no Sistema de Informações de Crédito podem integrar a análise feita por outras instituições na concessão, renovação ou reavaliação de crédito. Por isso, a posição global da empresa deve ser considerada antes de uma nova contratação. O artigo sobre como o SCR registra renegociações da empresa detalha esse ponto.
Nenhuma dessas perguntas se resolve pela taxa média publicada. Ela serve como referência de mercado, não como diagnóstico da empresa.
O risco de decidir só pela parcela
O movimento de julho cria uma armadilha conhecida. O banco oferece crédito novo mais barato, a parcela do mês cabe no caixa, e a empresa aceita sem medir o que o acordo consolida. Meses depois, o passivo total pode estar maior, as garantias podem ter sido ampliadas e a margem para negociar ou discutir a operação pode ter diminuído.
O caminho mais seguro é inverter a ordem. Primeiro, mapear quanto se deve, a quem, com qual garantia e em qual estágio de cobrança. Depois, comparar a proposta com esse mapa. Só então decidir se o caso pede negociar, defender ou ajuizar.
Juro menor no mercado não reduz a dívida que a empresa já tem; o que muda o quadro é a decisão tomada com o passivo inteiro à vista.
Perguntas frequentes
Qual é a taxa de juros do capital de giro rotativo PJ em 2026?
Pela série 20724 do Banco Central, a taxa média das novas operações de capital de giro rotativo para empresas foi de 34,86% ao ano em julho de 2026. O pico do ano até ali foi em abril, com 39,68% ao ano.
A queda da taxa média reduz os juros do meu contrato antigo?
Não automaticamente. A série mede novas operações contratadas no mês. O contrato já assinado segue as condições pactuadas, inclusive eventuais indexadores, e qualquer mudança depende de negociação ou de discussão específica sobre aquele contrato.
Por que a inadimplência PJ subiu em julho de 2026 se os juros caíram?
Os dois indicadores medem coisas diferentes. A taxa média é calculada sobre as novas concessões do mês; a inadimplência considera o estoque da carteira com atraso acima de 90 dias. Os dados, sozinhos, não explicam a causa da variação.
Juros acima da média do Banco Central são automaticamente abusivos?
Não. A taxa média é uma referência estatística, não um teto automático. A análise depende da modalidade, do período, do risco da operação, das garantias e das circunstâncias da contratação, tema discutido no artigo sobre o Tema 1.378 do STJ e a taxa média.